16 de junho 2011
"Vamos falar com a Dilma", diz movimento dos bombeiros no Rio sobre marcha a Brasília
A nova estratégia do movimento dos bombeiros do Rio de Janeiro, que cobra do governo estadual reajuste salarial, é uma marcha até Brasília para negociar com deputados federais, senadores e ministros. A informação foi dada no comício desta quinta-feira (16) pelo cabo Benvenuto Daciolo, um dos líderes do grupo S.O.S Bombeiros, que mais uma vez está acampado em frente à Assembleia Legislativa (Alerj).
"Estamos há dois meses tentando dialogar com as autoridades competentes. O nosso ex-comandante [Pedro Machado] disse que não falaria com praças. Tentamos com o governador e acabamos presos. O atual comandante da corporação, coronel Sérgio Simões, também não fala com o núcleo do movimento. Portanto, vamos para Brasília! Vamos falar com a Dilma!", exclamou Daciolo, que foi acompanhado pelos manifestantes gritando o nome da presidente da República, Dilma Rousseff, em coro.
Passado o discurso, o líder do S.O.S Bombeiros explicou que a ida a Brasília ainda está sendo negociada com os deputados federais e senadores que dão apoio à causa. Segundo ele, um grupo de parlamentares já está na capital fluminense para acertar os detalhes da marcha, que será realizada após o dia 26 de junho -data da próxima passeata em Copacabana, na zona sul do Rio, a exemplo da manifestação que ocorreu no último domingo.
O principal assunto a ser tratado em Brasília é a anistia para os 439 bombeiros presos durante a invasão ao quartel central da corporação.
Segundo Daciolo, enquanto correrem os processos administrativo e criminal contra os militares, não existirá negociação com o governo estadual sobre a questão salarial. Os oficiais respondem pelos crimes de motim, dano em material ou aparelhamento de guerra, dano em aparelhos e instalações de aviação e navais, e em estabelecimentos militares.
Estava prevista para esta quinta-feira a votação na Alerj do Projeto de Emenda Constitucional (PEC) que prevê a soltura em definitivo dos 439 bombeiros, mas os funcionários da Casa e os assessores de alguns parlamentares que se mobilizam em favor da categoria afirmaram que o assunto não estava na pauta de votações.
Os militares informaram que as manifestações em frente da Alerj serão realizadas diariamente, sempre às 14h, até que o governo do Estado escute as reivindicações.
Caravana de 12 mil homens
Daciolo, afirmou que pretende levar 12 mil bombeiros a Brasília. Segundo ele, os mais de 100 políticos que prestaram apoio à causa da categoria colocaram à disposição dos manifestantes cerca de 500 ônibus. Ele pediu para que todos os grupamentos já comecem a se organizar, mas a viagem só acontecerá após o dia 26 de junho.
"Nós temos ônibus para levar até 12 mil homens. Se um grupamento precisa de cinco, dez, vinte, pode pedir. Cada parlamentar nos concedeu 10 ônibus, em média. Comecem a lotar os ônibus o quanto antes. O dia da marcha ainda é segredo e há um motivo para o sigilo", disse ele aos mais de 300 manifestantes que tomaram a escadaria do Palácio Tiradentes.
A marcha é uma estratégia do S.O.S Bombeiros para pressionar o governador Sérgio Cabral. Daciolo pensa que o governo estadual está esperando a Alerj entrar em recesso para "esfriar o movimento", mas acredita que os manifestantes serão chamados para negociar até a data da possível viagem a Brasília.
O cabo também explicou que o protesto não vai causar transtornos no atendimento à população, já que, dos 16 mil bombeiros da corporação, a escala diária é formada por apenas quatro mil. "Os que estiverem de serviço vão trabalhar para oferecer um serviço padrão", disse.
O principal assunto a ser tratado na capital federal é a "anistia" para os 439 bombeiros presos durante a invasão ao quartel central da corporação. Os oficiais respondem pelos crimes de motim, dano em material ou aparelhamento de guerra, dano em aparelhos e instalações de aviação e navais, e em estabelecimentos militares.
Reprodução: UOL NOÍCIAS